Governo dissolvido e eleições canceladas na Costa do Marfim
Caros leitores, essa semana o presidente Costa do Marfim (ou Côte d’Ivoire, nome original e forma a ser adotada no Brasil, a pedido do país africano), Laurent Gbagbo, dissolveu o governo e a comissão eleitoral.
Deve estar se questionando: Ohhh, mais um governo africano dando algum tipo de golpe de Estado?
Nem tanto. Para se entender a simbologia desse acontecimento, devemos voltar uns anos o tempo
A Costa do Marfim adquiriu sua independência plena em 1960, depois de ter sido colônia e membro da Comunidade Francesa. O Parti Démocratique de la Côte d’Ivoire–Rassemblement Démocratique Africain, com um alinhamento pró-ocidental, foi a única agremiação política legal no país até 1990. Em 1990 aconteceu a primeira eleição em que houve uma disputa real pelo poder com a presença de vários partidos políticos recém legalizados. Contudo, a supremacia do Parti Démocratique de La Côte d’Ivoire restou evidente com a reeleição do presidente Houphouët-Boigny para seu sétimo mandato (que mesmo imerso em várias crises econômicas e envolto em diversas tentativas de golpes de Estado, só deixou a presidência em 1993, quando faleceu).
O antigo presidente da Assembléia Nacional (Parlamento), Henri Konan Bedié, assumiu a presidência da República em 1993 e foi confirmado no cargo em 1995. No dia 24 de dezembro de 1999, um golpe de Estado, comandado pelo general Robert Guel (Robert Guéï), destituiu o presidente Konan Bedié, que se refugiou na Embaixada da França e depois no Togo. O general Guel convocou todos os partidos políticos para formarem um governo de transição e prometeu que o retorno à democracia seria rápido. Esse foi o primeiro golpe de estado no país desde a sua independência em 1960.
Robert Guéï foi assassinado durante um levantamento encabeçado pelo Movimento Patriótico da Costa do Marfim em 2002. Foi sucedido pelo atual presidente Laurent Gbagbo que prometeu eleições democráticas no país.
Contudo, em 2002 teve início no país uma violenta guerra civil tendo sido necessária a intervenção da ONU, através da United Nations Organization in the Congo – ONUC. Em 2004 foi restaurada a ordem com a manutenção do governo de Laurent Gbagbo.
E desde 2005 o presidente promete quer irá trazer a tão sonhada eleição para compor um governo eleito pelo povo e de forma democrática.
Assim, de posse dessas informações, nota-se o quanto é frustrante a decisão do presidente em dissolver o governo e a comissão eleitoral (mesmo afirmando que ele irá formar um novo Executivo até o dia 15 de fevereiro).
Segundo Gbagbo a decisão foi motivada pelo chefe da comissão eleitoral, Robert Mambe, membro de um partido da oposição, de querer adicionar às listas 429 mil nomes de eleitores cuja identidade não foi confirmada.
Resta saber quando esse país poderá finalmente ostentar um governo democrático e se ver livre da insegurança de dormir e não saber se irá acordar nas condições de quando se vestiu o pijama.
