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Política Internacional


Obama “humilhou” Netanyahu em encontro, diz jornal de Israel

Posted on March 25, 2010 by Jefferson

Num jargão popular, ‘a casa caiu para Israel’. Um atrito com seu maior aliado pode ser um importante e decisivo trunfo para opositores das ações engendradas pelo país judeu. Esperamos que os Estados Unidos não voltem atrás e forcem o abandono da aspiração expansionista israelense para assim, iniciar, novamente, uma dialogo na região.

From Folha Online

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, “humilhou” o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, no encontro a portas fechadas realizado na terça-feira passada (23), afirma o jornal israelense “Yedioth Ahronoth”.

O jornal diz que o encontro, realizado em Washington (EUA), foi uma “emboscada” de um Obama “inflado” após a aprovação da reforma da saúde americana, considerada a maior vitória de seu governo.

Nenhum dos dois deu declarações ou entrevistas após o encontro. O gabinete de Netanyahu afirmou apenas que “o clima foi bom” durante a conversa, que ocorre em meio a uma das maiores crises na relação bilateral, diante da insistência de Israel de construir em território ocupado.

Segundo o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, Obama quer que Netanyahu tome ações para convencer os palestinos a retomar as negociações indiretas –suspensas após o anúncio de mais construções na Jerusalém Oriental.

O “Yedioth Ahronoth” revela detalhes do encontro, no qual o presidente americano teria perguntado a Netanyahu que gestos estava disposto a tomar em direção aos palestinos para convencer-lhes a retomar o diálogo de paz, interrompido há mais de um ano.

Obama não ficou satisfeito com as respostas vagas e insistiu na necessidade de passos concretos, enquanto Netanyahu seguia falando em um marco teórico de possíveis medidas.

Também foi debatido, ainda segundo o jornal, o controvertido tema da construção de colônias judaicas em território palestino ocupado, que colocou os aliados em lados opostos quando Israel anunciou a edificação de 1.600 moradias durante a visita do vice-presidente dos EUA, Joe Biden.

Washington viu o anúncio como uma humilhação a seu vice-presidente e, segundo alguns comentaristas locais, Obama quis devolvê-la a Netanyahu, principalmente após saber que, horas antes, Israel tinha dado o sinal verde para a construção de outros 20 imóveis em Jerusalém Oriental.

Às 19h locais, após uma hora e meia de debate sem acordos, Obama se levantou da cadeira e disse: “vou à parte residencial [da Casa Branca] jantar com Michelle e as meninas”.

“Estarei por aqui. Me diga se houver algo novo”, teria respondido Netanyahu, sempre de acordo com o relato do jornal.

Depois, Netanyahu teria solicitado uma segunda reunião com Obama, que durou pouco menos de meia hora.

A Casa Branca não permitiu o acesso da imprensa antes ou depois do encontro, nem divulgou fotos oficiais, como manda o protocolo, o que pode ser interpretado como outra forma de humilhar seu convidado.

Ainda de acordo com o jornal, Obama ofereceu uma linha telefônica, como é costume, mas o chefe do Governo israelense temeu que a linha estivesse grampeada foi à embaixada de seu país para fazer suas chamadas.

13 gestos

Na reunião, Obama pediu para que Israel apresente treze gestos, sem contrapartida, rumo aos palestinos, e disse que espera uma resposta por escrito para esta quinta-feira.

Entre as exigências está a ampliação, em setembro, da moratória parcial de dez meses na construção nos assentamentos judaicos na Cisjordânia, incluindo também Jerusalém Oriental, e a libertação de entre cem e mil presos palestinos.

Netanyahu, que já começou a preparar a resposta, convocou uma reunião esta tarde em Jerusalém com seus sete principais ministros para estudar a situação.

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