Obama “humilhou” Netanyahu em encontro, diz jornal de Israel
Num jargão popular, ‘a casa caiu para Israel’. Um atrito com seu maior aliado pode ser um importante e decisivo trunfo para opositores das ações engendradas pelo país judeu. Esperamos que os Estados Unidos não voltem atrás e forcem o abandono da aspiração expansionista israelense para assim, iniciar, novamente, uma dialogo na região.
From Folha Online
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, “humilhou” o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, no encontro a portas fechadas realizado na terça-feira passada (23), afirma o jornal israelense “Yedioth Ahronoth”.
O jornal diz que o encontro, realizado em Washington (EUA), foi uma “emboscada” de um Obama “inflado” após a aprovação da reforma da saúde americana, considerada a maior vitória de seu governo.
Nenhum dos dois deu declarações ou entrevistas após o encontro. O gabinete de Netanyahu afirmou apenas que “o clima foi bom” durante a conversa, que ocorre em meio a uma das maiores crises na relação bilateral, diante da insistência de Israel de construir em território ocupado.
Segundo o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, Obama quer que Netanyahu tome ações para convencer os palestinos a retomar as negociações indiretas –suspensas após o anúncio de mais construções na Jerusalém Oriental.
O “Yedioth Ahronoth” revela detalhes do encontro, no qual o presidente americano teria perguntado a Netanyahu que gestos estava disposto a tomar em direção aos palestinos para convencer-lhes a retomar o diálogo de paz, interrompido há mais de um ano.
Obama não ficou satisfeito com as respostas vagas e insistiu na necessidade de passos concretos, enquanto Netanyahu seguia falando em um marco teórico de possíveis medidas.
Também foi debatido, ainda segundo o jornal, o controvertido tema da construção de colônias judaicas em território palestino ocupado, que colocou os aliados em lados opostos quando Israel anunciou a edificação de 1.600 moradias durante a visita do vice-presidente dos EUA, Joe Biden.
Washington viu o anúncio como uma humilhação a seu vice-presidente e, segundo alguns comentaristas locais, Obama quis devolvê-la a Netanyahu, principalmente após saber que, horas antes, Israel tinha dado o sinal verde para a construção de outros 20 imóveis em Jerusalém Oriental.
Às 19h locais, após uma hora e meia de debate sem acordos, Obama se levantou da cadeira e disse: “vou à parte residencial [da Casa Branca] jantar com Michelle e as meninas”.
“Estarei por aqui. Me diga se houver algo novo”, teria respondido Netanyahu, sempre de acordo com o relato do jornal.
Depois, Netanyahu teria solicitado uma segunda reunião com Obama, que durou pouco menos de meia hora.
A Casa Branca não permitiu o acesso da imprensa antes ou depois do encontro, nem divulgou fotos oficiais, como manda o protocolo, o que pode ser interpretado como outra forma de humilhar seu convidado.
Ainda de acordo com o jornal, Obama ofereceu uma linha telefônica, como é costume, mas o chefe do Governo israelense temeu que a linha estivesse grampeada foi à embaixada de seu país para fazer suas chamadas.
13 gestos
Na reunião, Obama pediu para que Israel apresente treze gestos, sem contrapartida, rumo aos palestinos, e disse que espera uma resposta por escrito para esta quinta-feira.
Entre as exigências está a ampliação, em setembro, da moratória parcial de dez meses na construção nos assentamentos judaicos na Cisjordânia, incluindo também Jerusalém Oriental, e a libertação de entre cem e mil presos palestinos.
Netanyahu, que já começou a preparar a resposta, convocou uma reunião esta tarde em Jerusalém com seus sete principais ministros para estudar a situação.

