Ministro grego promete à UE cumprir metas de austeridade. 0
Da France Presse
O novo ministro grego das Finanças, Evangelos Venizelos, afirmou neste domingo que seu governo cumprirá as promessas de austeridade e de redução do déficit público, ao chegar a uma reunião dos ministros da área da zona do euro, em Luxemburgo, para tentar tirar o país da bancarrota.
“Reafirmo o compromisso do governo e a vontade do povo grego de pôr em execução o programa” previsto para sanear as finanças públicas, declarou o ministro, que assumiu o cargo esta semana depois de uma reforma do gabinete, forçada pela crise.
“Podemos alcançar os objetivos previstos graças ao esforço de nossos cidadãos, com a cooperação e ajuda de nossos parceiros” europeus, acrescentou Venizelos, antes do encontro com os representantes que vão decidir como ajudar a Grécia a cobrir suas necessidades financeiras imediatas.
De concreto, a Zona do Euro estudará desbloquear a quinta parcela dos empréstimos prevista no primeiro plano de ajuda ao país, equivalente a 12 bilhões de euros, dos quais 3,3 bilhões ficarão por conta do Fundo Monetário Internacional (FMI).
A Grécia, uma das mais afetadas pela crise da dívida europeia, já recebeu em maio de 2010 um pacote de resgate de US$ 160 bilhões da União Europeia e do FMI. O país, contudo, não conseguiu cumprir as metas fiscais previstas e alerta que, se não receber uma nova ajuda, vai quebrar.
Papandreou disse neste domingo que está em negociação por um pacote de valor “basicamente igual” ao de 2010 –e que a Grécia teria que pagar até 2014.
Em troca do dinheiro, o premiê grego tenta aprovar um segundo pacote de austeridade, com 6,5 bilhões de euros em aumentos de impostos e cortes de gastos estatais neste ano. A oposição, contudo, resiste, diante de manifestações populares e greve geral.
Papandreou ofereceu renunciar e formar um novo governo para tentar acalmar a oposição, depois da renúncia de três deputados que ameaçou a votação as medidas de austeridade no Parlamento. Ele enfrentará um voto de confiança na noite de terça-feira, depois de três dias de debates no Parlamento.
Neste domingo, ele voltou a pedir apoio dos gregos ao impopular pacote de austeridade e disse que a imagem de uma divisão nacional não está ajudando o país a sobreviver.
MERCADO SALVO
Os ministros das Finanças das 17 nações da zona do euro vão debater como fazer os credores privados partilharem o custo do segundo plano de ajuda à Grécia sem gerar turbulências ainda piores nos mercados financeiros. Eles buscam fechar um acordo na cúpula da União Europeia, nos dias 23 e 24.
Um documento da Comissão Europeia, publicado recentemente pelo “Financial Times”, sobre as opções para o envolvimento do setor privado, mostrou as dificuldades que a zona do euro enfrenta para evitar a instauração de um caos nos mercados.
Uma rolagem voluntária de bônus gregos perto do vencimento, defendida pela França, Alemanha e pelo BCE, oferece o menor risco causar um rebaixamento de rating para a Grécia, mas seria impossível quantificar a contribuição do setor privado antecipadamente.
Isso significaria que os países da zona do euro e o FMI teriam de entrar com mais capital para inteirar os 120 bilhões de euros necessários em empréstimos, com 30 bilhões vindos de privatizações.
Uma troca de bônus, envolvendo o adiamento do prazo dos títulos em sete anos, é favorecida pela Holanda. Isso levantaria a maior parte do capital exigido, mas teria o maior risco de contágio, com investidores de outros bônus soberanos tomando ações de prevenção para evitar medidas similares em outros países, segundo o jornal.
Uma outra opção, a rolagem voluntária de dívida com incentivos limitados positivos, atrairia uma participação maior e tornaria possível antecipar a contribuição do setor privado, mas elevaria o risco de rebaixamento da Grécia e contágio de outros países.







