Escritos despretensiosos sobre Política Internacional…

Política Internacional



Ministro grego promete à UE cumprir metas de austeridade. 0

Posted on June 20, 2011 by Jefferson

Da France Presse

O novo ministro grego das Finanças, Evangelos Venizelos, afirmou neste domingo que seu governo cumprirá as promessas de austeridade e de redução do déficit público, ao chegar a uma reunião dos ministros da área da zona do euro, em Luxemburgo, para tentar tirar o país da bancarrota.

“Reafirmo o compromisso do governo e a vontade do povo grego de pôr em execução o programa” previsto para sanear as finanças públicas, declarou o ministro, que assumiu o cargo esta semana depois de uma reforma do gabinete, forçada pela crise.

“Podemos alcançar os objetivos previstos graças ao esforço de nossos cidadãos, com a cooperação e ajuda de nossos parceiros” europeus, acrescentou Venizelos, antes do encontro com os representantes que vão decidir como ajudar a Grécia a cobrir suas necessidades financeiras imediatas.

De concreto, a Zona do Euro estudará desbloquear a quinta parcela dos empréstimos prevista no primeiro plano de ajuda ao país, equivalente a 12 bilhões de euros, dos quais 3,3 bilhões ficarão por conta do Fundo Monetário Internacional (FMI).

A Grécia, uma das mais afetadas pela crise da dívida europeia, já recebeu em maio de 2010 um pacote de resgate de US$ 160 bilhões da União Europeia e do FMI. O país, contudo, não conseguiu cumprir as metas fiscais previstas e alerta que, se não receber uma nova ajuda, vai quebrar.

Papandreou disse neste domingo que está em negociação por um pacote de valor “basicamente igual” ao de 2010 –e que a Grécia teria que pagar até 2014.

Em troca do dinheiro, o premiê grego tenta aprovar um segundo pacote de austeridade, com 6,5 bilhões de euros em aumentos de impostos e cortes de gastos estatais neste ano. A oposição, contudo, resiste, diante de manifestações populares e greve geral.

Papandreou ofereceu renunciar e formar um novo governo para tentar acalmar a oposição, depois da renúncia de três deputados que ameaçou a votação as medidas de austeridade no Parlamento. Ele enfrentará um voto de confiança na noite de terça-feira, depois de três dias de debates no Parlamento.

Neste domingo, ele voltou a pedir apoio dos gregos ao impopular pacote de austeridade e disse que a imagem de uma divisão nacional não está ajudando o país a sobreviver.

MERCADO SALVO

Os ministros das Finanças das 17 nações da zona do euro vão debater como fazer os credores privados partilharem o custo do segundo plano de ajuda à Grécia sem gerar turbulências ainda piores nos mercados financeiros. Eles buscam fechar um acordo na cúpula da União Europeia, nos dias 23 e 24.

Um documento da Comissão Europeia, publicado recentemente pelo “Financial Times”, sobre as opções para o envolvimento do setor privado, mostrou as dificuldades que a zona do euro enfrenta para evitar a instauração de um caos nos mercados.

Uma rolagem voluntária de bônus gregos perto do vencimento, defendida pela França, Alemanha e pelo BCE, oferece o menor risco causar um rebaixamento de rating para a Grécia, mas seria impossível quantificar a contribuição do setor privado antecipadamente.

Isso significaria que os países da zona do euro e o FMI teriam de entrar com mais capital para inteirar os 120 bilhões de euros necessários em empréstimos, com 30 bilhões vindos de privatizações.

Uma troca de bônus, envolvendo o adiamento do prazo dos títulos em sete anos, é favorecida pela Holanda. Isso levantaria a maior parte do capital exigido, mas teria o maior risco de contágio, com investidores de outros bônus soberanos tomando ações de prevenção para evitar medidas similares em outros países, segundo o jornal.

Uma outra opção, a rolagem voluntária de dívida com incentivos limitados positivos, atrairia uma participação maior e tornaria possível antecipar a contribuição do setor privado, mas elevaria o risco de rebaixamento da Grécia e contágio de outros países.

Começa encontro do G20, em Paris, com foco na alta das commodities. 0

Posted on February 18, 2011 by Jefferson

Ministros das Finanças das maiores economias se reúnem no país.

Mantega diz que vai se opor à regulação de preços das matérias-primas.

Do G1, com informações de agências

Começa nesta sexta-feira (18), em Paris, o encontro do G20 – que reúne os ministros das Finanças das maiores economias do mundo e das principais emergentes. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, está na França para representar o Brasil.

O aumento nos preços das commodities deve ser um dos destaques da pauta do encontro – que tem como um dos objetivos estabelecer indicadores comuns para medir os desequilíbrios econômicos mundiais.

Para o grupo, além da alta dos preços das matérias-primas, representam riscos para a recuperação econômica mundial o potencial superaquecimento das economias emergentes e os problemas de dívida soberana nas nações mais ricas. Estas preocupações devem ser combatidas com cortes orçamentários, uma maior liberdade das taxas de câmbio e reformas estruturais

Na reunião, que coincide com um momento em que os preços dos alimentos batem recordes, Brasil e Argentina vão se opor a qualquer tentativa de impor um controle da cotação das matérias-primas, um ponto que provoca choques entre o mundo desenvolvido e o emergente.
Mantega e o ministro da Fazenda da Argentina, Amado Boudou, estiveram reunidos há uma semana para discutir o tema.

Mantega
“O Brasil é totalmente contra qualquer mecanismo para controlar ou regular os preços das commodities”, disse Mantega na última terça-feira (15). “De qualquer forma, os preços das commodities vão ceder naturalmente às forças do mercado.”

Na opinião do ministro, o melhor meio para se assegurar preços acessíveis de alimentos, no longo prazo, é estimular o aumento da produção. “Uma forma de manter em baixa os preços das commodities seria encorajar uma produção maior nos países emergentes e pobres”, sugeriu Mantega. “Os países desenvolvidos poderiam ajudar este processo com investimentos.”

Mantega acrescentou ainda que os países desenvolvidos industrializados podem ajudar a promover uma produção maior das commodities “com a remoção das barreiras comerciais”.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, que ocupa a presidência rotativa do G20 até o fim de 2011, propôs uma reforma do sistema monetário mundial e o estabelecimento de um controle contra a especulação nos mercados de matérias-primas – duas maneiras, a seu ver, de defender as economias mais pobres dos atuais desequilíbrios comerciais globais.

O primeiro passo seria definir indicadores econômicos capazes de medir as diferenças entre os países e dar início a um processo corretivo – embora muitos enxerguem este projeto como um modo sutil de obrigar a China a reavaliar o yuan, reduzindo seu descomunal excedente comercial.

“Nossa expectativa é alcançar um acordo sobre os indicadores no sábado”, disse esta semana a ministra francesa da Economia, Christine Lagarde.

Brics
Os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) convocaram para esta sexta-feira uma reunião preparatória, na qual abordarão, entre outros temas, a questão da avaliação das economias do G20 e a reforma do sistema monetário internacional.

Já no ano passado, por exemplo, em um encontro de ministros das Finanças do G20, ainda sob a presidência sul-coreana, a China e outros países haviam se declarado contrários a uma proposta americana de estabelecer um limite de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) para os desequilíbrios das contas correntes.

Diante desta reticência, que não inclui apenas os países emergentes, mas também grandes exportadores desenvolvidos como a Alemanha, existe um consenso de evitar referências, neste momento, a metas específicas na hora de enfrentar o abismo que há entre os países.

(Com informações da France Presse, EFE e Agência Estado)

O mundo “esgotado” na visão de Davos…. 0

Posted on January 28, 2011 by Jefferson

Análise: Fórum de Davos reflete mundo ‘esgotado’ após crise global

Tim Weber

Editor de Negócios da BBC News

A pior parte da crise econômica mundial pode já ter passado, mas o mundo que se reúne na cidade suíça de Davos, onde começou nesta quarta-feira o Fórum Econômico Mundial, é um mundo esgotado.

De acordo com o professor Klaus Schwab, o homem que criou a reunião anual dos mais importantes líderes do setor empresarial e políticos há 41 anos, é um mundo que sofre de “síndrome de burnout (esgotamento) global”, fraco demais para aguentar outro choque global.

A crise também criou novas realidades. Durante anos, o fórum forneceu uma imagem perfeita da reformulação do equilíbrio de poder no mundo, do ocidente para o oriente e (em menor escala) do norte ao sul.

A pauta de 2011 confirma as novas superpotências: primeiro e mais importante, a China; então a Índia, ainda emergente; e concorrentes como o Brasil e outros países ricos em commodities.

Por exemplo: os nomes de algumas sessões oferecidas para as 2,5 mil pessoas que vão participar do fórum são “O Futuro dos empreendimentos chineses”, ou então “O Impacto da China no Comércio e Crescimento Global”.

Uma destas sessões, “Novas Realidades da China Moderna”, teve o dobro do número de interessados em relação ao número de vagas.

E a sessão sobre a “Reformulação da Economia Americana” está sendo liderada por um membro da Academia Chinesa de Ciências Sociais.

Então não é surpreendente que a China envie sua maior delegação na história do Fórum de Davos, apesar de politicamente não ser a mais poderosa em comparação com anos anteriores.

Riscos globais

Todo ano, antes da reunião, o Fórum Econômico Mundial produz o relatório Riscos Globais e, em 2011, ele foi particularmente sombrio, listando dezenas de riscos interligados e complexos que podem prejudicar ainda mais governos já prejudicados pela crise financeira.

“Temos que ser cuidadosos para que esta crise não se transforme em uma crise social, o que já ocorre em alguns países”, afirmou Klaus Schwab.

O lema de Davos é “comprometido em melhorar o estado do mundo”. Mas o fórum não vai resolver estes problemas, não foi criado para isto. O evento é para conversas e networking, mas alguém pode estabelecer a pauta, gerar novas ideias, estabelecer relações.

Os organizadores esperam que as discussões possam estimular os líderes a agirem. Não é uma perspectiva fora da realidade, pois 19 governos dos países membros do G20 enviarão ministros, chefes de Estado ou de governo.

O fórum também vai lançar uma “rede global de resposta a riscos”, uma tentativa de juntar os conhecimentos de avaliadores de riscos das corporações com os conhecimentos de autoridades de governos.

Europa

A China pode dominar a pauta, mas os líderes da Europa são os que vão tentar deixar suas marcas nas discussões.

A maioria dos discursos mais importantes do fórum serão de políticos da Europa. Falarão o primeiro-ministro britânico, David Cameron, a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, além do presidente russo, Dmitry Medvedev – que abriu o evento, nesta quarta-feira.

O primeiro-ministro grego, George Papandreou – que enfrentou violentos protestos nas ruas em 2010 devido à crise econômica no país -, deve fazer uma ofensiva durante o fórum, expondo seu caso em público e conversando em particular com jornalistas e banqueiros.

Todos os líderes europeus tentarão enfrentar o pessimismo de sessões agendadas no fórum que trazem títulos como “Zona do Euro: mudando de sobrevivência para renascimento”.

Terrorismo e outras questões de segurança também estão na pauta, mas, em relação a isso, o atentado em um aeroporto de Moscou nesta semana provavelmente vai geram mais conversas do que Afeganistão e Paquistão.

Outra sessão que foi incluída no evento ecoa a instabilidade no norte da África: “Tunísia – Ponto de Mudança ou Tsunami”.

Fórum masculino

O governo dos Estados Unidos, que foi a grande ausência dos últimos anos, vai enviar o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, e 35 países vão enviar chefes de Estado ou de governo.

A presidente Dilma Rousseff não comparecerá ao evento, que termina no domingo. O governo brasileiro será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota.

As mulheres não serão bem representadas no fórum. Tanto que o Fórum Econômico Mundial sentiu a necessidade de dizer aos cem “parceiros estratégicos” – de Goldman Sachs ao Deutsche Bank – que pelo menos um quinto dos representantes das companhias deveriam ser mulheres.

Isso não significa que não há espaço para diversidade. Chefes das mais importantes companhias do mundo vão se misturar com “pioneiros da tecnologia”, empreendedores sociais, líderes religiosos, membros das ONGs Greenpeace e Oxfam, e líderes culturais como o ator Robert de Niro e o vocalista da banda U2, Bono.

A cada noite, os hotéis de Davos terão dezenas de festas, recepções e jantares particulares. Executivos estressados poderão participar de sessões como “Liderança Shakespeariana” ou “Música para Mudança Social”.

No final das contas, é esta mistura eclética que participantes que torna Davos especial, apesar de sua pauta mais pesada.

A visita de Hu Jintao e a importância da China… 0

Posted on January 26, 2011 by Jefferson

A visita de Hu Jintao e a importância da China

Escrito por Alessandra Correa

BBC Brasil

Ainda pode levar algum tempo até que se avalie o real efeito da visita do presidente da China aos Estados Unidos nas relações bilaterais, mas o jantar de Estado oferecido a Hu Jintao na Casa Branca mostra a importância que o gigante asiático assumiu nos últimos anos.A última vez que um líder chinês havia sido recebido com uma cerimônia desse tipo foi em 1997, quando Bill Clinton ofereceu um jantar de Estado a Jiang Zemin.

Em sua visita aos Estados Unidos em 2006, durante o governo de George W. Bush, Hu Jintao teve direito apenas a um almoço.

Desta vez, a Casa Branca estendeu o tapete vermelho para o presidente chinês. As honras começaram ainda na terça-feira, quando Hu foi convidado para um raro jantar privado com o presidente Barack Obama e um pequeno grupo de convidados.

A preparação do jantar de Estado de quarta-feira foi cercada de segredo. A seleta lista de 225 convidados incluía personalidades sino-americanas, muitos executivos de grandes empresas e alguns ativistas de direitos humanos – talvez um recado para o líder chinês, em um dos temas de atrito entre os dois países.

Muitos ficaram de fora, e também houve quem esnobasse o convite: o republicano John Boehner, presidente da Câmara dos Representantes, e o democrata Harry Reid, líder da maioria no Senado, não compareceram à festa.

Na quinta-feira, o jantar era o tema de todos os jornais e redes de TV americanas, com destaque para o vestido de organza de seda vermelho usado pela primeira-dama, Michelle. “Sua escolha teve a pompa certa para demonstrar a importância desse jantar de Estado”, disse o New York Times.

A opinião de analistas é que os dois lados saíram beneficiados da visita desta semana, considerada a mais importante de um líder chinês aos Estados Unidos desde que Deng Xiaoping foi recebido por Jimmy Carter, em 1979.

Hu conseguiu passar aos chineses – que acompanharam a viagem com grande interesse – a imagem de que foi recebido como um estadista reconhecido internacionalmente, e a China, tratada pelos Estados Unidos como um aliado do mesmo peso.

Obama também conseguiu o que queria: passar uma mensagem de mais rigidez em relação a temas de atrito com a China, como a questão dos direitos humanos, e dar um certo ímpeto à relação comercial com a segunda maior economia do mundo.

O desafio da China… 0

Posted on January 24, 2011 by Jefferson

O Estado de S. Paulo, 23/01/2011

Sergio Amaral – Presidente do Conselho Empresarial Brasil-China

Espaço Aberto

A emergência econômica da China é uma realidade e o sinal mais forte de que caminhamos para um mundo novo, que muitos já chamam pós-ocidental. A emergência da Índia, ainda incipiente, mas igualmente relevante, reforçará o deslocamento do centro dinâmico da economia mundial para a Ásia.

Para nós a China é, ao mesmo tempo, uma oportunidade e uma ameaça. Em 2010, esse país foi o principal mercado para as exportações brasileiras e o principal investidor no Brasil. As exportações atingiram US$ 30 bilhões, enquanto as importações subiram para US$ 26 bilhões.

Mas a qualidade do intercâmbio deixa a desejar. Em 2009, os produtos básicos representaram 77% das exportações. Do lado chinês, ao contrário, mais de 95% das exportações foram de bens industrializados, que incorporam mais valor, geram mais empregos e melhores salários. A responsabilidade é, em boa medida, nossa. É o chamado “custo Brasil”. Como é possível concorrer com o produto chinês, se a taxa de juros aqui é a mais alta do mundo, enquanto a da China é negativa? Quando, entre nós, a carga tributária chega perto de 40% do produto interno bruto (PIB), enquanto a deles está abaixo de 20%? Se a nossa infraestrutura é deficiente e a da China, supermoderna? Enfim, quando o real está apreciado, enquanto o yuan está desvalorizado?

Mas existem outras razões para a redução relativa das exportações industriais. Em certos setores, a China pratica a escalada tarifária, como em relação à soja. Outras vezes estabelece restrições sanitárias injustificadas, como é o caso do frango. E cada vez mais os produtos industriais brasileiros terão de enfrentar a integração das cadeias produtivas na Ásia, em decorrência das dezenas de acordos de comércio e investimentos entre a China e seus parceiros na região.

Do lado das importações, o déficit de competitividade explica em parte o deslocamento de significativos setores da economia brasileira diante de um volume crescente de mercadorias chinesas. Mas, aqui também, outros fatores precisam ser levados em conta: a aceleração das exportações da China, o seu crescente volume e, por vezes, a concorrência desleal, em consequência dos benefícios concedidos às empresas chinesas.

No ano passado a China foi também o principal investidor no Brasil, com mais de US$ 10 bilhões, o que é positivo. Mas o investimento está mudando. Não se trata mais apenas de capitais direcionados para o suprimento de commodities. Hoje a pauta dos investimentos, assim como a das exportações, se diversifica e inclui, cada vez mais, setores de alta tecnologia, como telecomunicações (Huawei) ou transmissão de energia (State Grid).

Os investimentos chineses por vezes não distinguem com clareza o público do privado. Mesmo quando a empresa é privada, a participação do governo no processo decisório e no financiamento pode ser dominante e deixa em aberto a indagação se o objetivo e o modo de operar da empresa refletem objetivos estratégicos do país ou práticas de mercado. Independentemente dessa distinção, o simples efeito dimensão do investimento suscita questões justificadas, que precisam ser avaliadas e, se for o caso, normatizadas, de modo a evitar que a decisão caso a caso gere incerteza para o investidor.

Também do lado dos investimentos brasileiros na China seria preciso maior previsibilidade. A Embraer não recebeu ainda a licença para produzir um avião de maior porte na China. Outras empresas, como a BR Foods, que abriu um escritório em Xangai, poderão perguntar-se se obterão a necessária autorização quando resolverem agregar mais valor às suas exportações ou produzir na China produtos de mais alto teor de processamento.

O desafio da China, assim, não está apenas na peculiaridade e no vulto de seus investimentos ou no volume crescente de produtos importados a um preço substancialmente mais baixo que o do similar nacional. Está em saber lidar, tanto ao nível da empresa quanto do governo, com uma realidade que é nova, diferente e se apresenta como as duas faces de uma mesma moeda: uma promissora, a outra inquietante. Esta realidade não pode ser tratada como business as usual.

Os desafios novos da parceria com a China suscitam algumas reflexões e iniciativas:

-Coordenação. A condução do intercâmbio foi corretamente colocada num nível elevado, vice-presidente da República e seu equivalente na China. No plano operacional, no entanto, visões legitimamente diferenciadas entre Ministérios e órgãos de governo tornam mais difícil a convergência de posições, um acompanhamento abrangente dos negócios e a fixação de prioridades para a ação.

-Articulação. Também no setor empresarial se manifestam diferenças naturais entre os que priorizam as oportunidades e os que temem as ameaças. É preciso conciliar essas duas perspectivas, inclusive de modo a levar ao governo uma visão convergente, que contribua para uma ação concertada.

-A parceria das empresas com o Itamaraty e a Apex tem ensejado ações importantes de promoção comercial. Mas se o objetivo é, como deveria ser, a agregação de valor às exportações, outros órgãos do governo – como o BNDES – teriam uma contribuição a aportar.

-Uso adequado dos mecanismos de defesa comercial.

-Maior clareza sobre os procedimentos e normas relativos ao comércio e ao investimento, de modo a assegurar maior previsibilidade aos agentes econômicos.

-Ampliação do intercâmbio cultural e educativo, de modo a suprir a lacuna de conhecimento recíproco.

A visita da presidente Dilma Rousseff à China, no correr do ano, será uma oportunidade valiosa para entendimentos entre os dois governos que venham a facilitar e impulsionar o intercâmbio econômico, em conformidade com os objetivos fixados no Plano de Ação Conjunta de 2010.

E lá vem o Chávez… 0

Posted on January 23, 2011 by Jefferson

Chávez anuncia chegada de tanques comprados da Rússia

Presidente da Venezuela diz que Rússia ajuda na defesa de seu país.

Deputados querem criar lei para reduzir compra de armamento.

Da France Fresse

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou na sexta-feira (21) à noite que o país receberá em breve os tanques comprados da Rússia, como resposta a um grupo de deputados opositores que pretende criar uma lei para reduzir a compra de armamento.

“Em breve começarão a chegar vários batalhões de tanques russos para a defesa da Venezuela”, declarou Chávez em um ato transmitido por emissoras de rádio e televisão.

“Dizem que vão pedir uma lei para impedir a compra de armamento militar. Graças à Rússia temos nossa aviação de defesa com foguetes estratégicos, com os melhores helicópteros do mundo. Nossos soldados não tinham nenhum fuzil, agora temos os melhores, não tínhamos nenhum radar de defesa e graças à China agora temos”, completou.

Chávez respondeu assim ao discurso dos novos deputados opositores, que assumiram 40% das cadeiras do Parlamento no início do mês, e que têm como proposta criar uma lei para impedir a compra de armas pelo governo.

Entre 2005 e 2007 o governo venezuelano assinou contratos de defesa de mais de quatro bilhões de dólares para comprar da Rússia aviões Sukhoi, helicópteros de combate e fuzis, entre outros equipamentos.

Niger: good harvest, malnutrition still high… 0

Posted on January 22, 2011 by Jefferson
A joint assessment by FAO and the World Food Programme (WFP) says that acute malnutrition rates in Niger remain high despite a good harvest.

The assessment, published today, urges the international community to continue to provide assistance to Niger so that these welcome gains in food production and food security are not reversed.

The Government of Niger, supported by the UN, launched a massive humanitarian intervention last year which averted the worst effects of a food and nutrition crisis that put more than seven million people in jeopardy and threatened the livelihoods of the country’s farmers and pastoralists.

As part of the humanitarian response to the drought, WFP delivered emergency food assistance to more than 5 million people, including vulnerable groups such as children under five, and pregnant or lactating women.

FAO provided 13 000 tonnes of animal feed and distributed over 3 400 tonnes of quality seeds, covering 94 percent of affected villages.

Cereal harvest up 60 percent


As a result of these interventions as well as a good rainy season in 2010, domestic cereal production increased by 60 percent and livestock that survived the drought were restored to health as pastures returned.

However, the acute malnutrition rate was still above 15 percent in most parts of the country in October and November, reaching 17 percent in the area around Agadez and Zinder.

Lack of access to health care facilities and extreme poverty pose further threats to populations on the frontline of the dire food security situation. Many families have been left in debt following the 2009/2010 food crisis.

“Food and non-food assistance is still necessary to reconstitute the resilience capacity of the affected populations to allow them to have independent access to food,” said the report.

FAO/WFP called for an improvement in family purchasing power in Niger by assisting pastoralists to replenish their livestock and boosting off-season agriculture such as vegetable and roots and tubers production.

Support feeding centres

The report also found a need to restore cereal banks, reconstitute the national grain stock and to support marketing chains. It also called for the continuing support of feeding centres for malnourished people.

It called for aid interventions to start immediately so that farmers will be provided with the necessary quality seeds and fertilizers before the next planting season that starts in May. Assistance is also required in the sphere of animal health and vaccines, the report said.

Brasil adverte de uma guerra comercial por causa da manipulação cambial 0

Posted on January 21, 2011 by Jefferson

Financial Times publicado na Exame.com

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, avisa que o Brasil colocará o tema na Organização Mundial do Comércio e outros foros mundiais

Londres – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, adverte de uma “guerra comercial global” pela manipulação monetária e menciona concretamente os Estados Unidos e China, em entrevista publicada nesta segunda-feira pelo “Financial Times”.

Segundo Mantega, o Brasil está tomando medidas para impedir que o real continue se valorizando e colocará o tema na Organização Mundial do Comércio (OMC) e outros foros mundiais.

“Trata-se de uma guerra monetária que está se transformando em uma guerra comercial”, afirma Mantega em sua primeira entrevista exclusiva desde que Dilma Rousseff substituiu Luiz Inácio Lula da Silva à frente do país.

Seus comentários, assinala o jornal, acompanham as intervenções que foram feitas na semana passada nos mercados de divisas tanto do Brasil como de Chile e Peru, as recentes e fortes altas do franco-suíço e de outras moedas, e a fuga dos investimentos das economias dos EUA e Europa.

O Fundo Monetário Internacional insinuou a semana passada que o mundo precisa de novas regras que governem o recurso pelos Governos aos controles de capitais.

Mantega já utilizou em setembro passado a expressão “guerra de divisas” antes de aplicar controles aos investimentos de bolsa estrangeiras no Brasil para frear uma apreciação de 39% do real frente ao dólar nos dois últimos anos.

Na quinta-feira, o Banco Central do Brasil pôs em prática de surpresa uma medida destinada a impedir a venda a curto prazo do dólar (apostando por sua depreciação) contra o real pelos bancos e anunciou que devem ser esperadas mais medidas “no mercado de futuros”.

Segundo Mantega, o tema das manipulações cambiais estará este ano na agenda do G20 e o Brasil também o apresentará na OMC para que seja considerado como um tipo de subsídio velado às exportações.

Os analistas acham, no entanto, que será difícil mudar as regras da OMC para incluir as taxas de câmbio porque a China seguramente vetaria uma proposta nesse sentido.

Segundo Mantega, o comércio do Brasil com os Estados Unidos passou de um superávit de cerca de US$ 15 bilhões a favor do país para um déficit de US$ 6 bilhões desde que Washington começou a flutuar sua economia mediante uma política monetária relaxada.

Para o ministro, a super-valorizada moeda chinesa também está distorcendo o comércio mundial: “Temos excelentes relações com a China, mas há alguns problemas. Certamente gostaríamos de ver uma valorização do iuane”.

Petrobras, Camargo, Cosan e Odebrecht se unem para transportar etanol 0

Posted on November 14, 2010 by Jefferson

Rafael Rosas | Valor

RIO – A Petrobras aprovou a assinatura de um termo de compromisso de associação com a Camargo Correa Óleo e Gás; a Copersucar; a Cosan; a Odebrecht Transport Participações (OTP); e a Uniduto Logística para estabelecer uma associação, formando uma empresa fechada de capital autorizado para o desenvolvimento, construção e operação de um sistema logístico multimodal para transporte e armazenagem de líquidos, com ênfase em etanol.

O acordo é resultado de estudos preliminares conjuntos da PMCC Soluções Logísticas de Etanol, que tem como acionistas a Petrobras e a Camargo Correa; Uniduto e OTP, visando à implementação de um único projeto de transporte e armazenagem de etanol.

O capital social da nova companhia será, inicialmente, de R$ 100 milhões, composto exclusivamente por ações ordinárias, nominativas e sem valor nominal. Copersucar, Cosan, OTP e Petrobras terão 20% de participação, cada, enquanto Camargo Correa e a Uniduto terão fatias de 10%.

“As partes estudarão o modelo societário e fiscal mais adequado e definirão em 60 dias a forma mais eficiente de associação, garantindo a continuidade dos projetos que estão sendo conduzidos pela PMCC. A associação será efetuada através de uma nova sociedade ou através da PMCC com a incorporação dos novos sócios”, diz a nota divulgada pela Petrobras.

China Looks South: Problematic Investments in Latin America… 0

Posted on November 11, 2010 by Jefferson

by COHA Research Associate Melissa Graham

China’s economic involvement in Latin America reached an all-time high last month when Beijing was able to gain a large stake in the Brazilian petroleum market. The deal, brokered by Chinese petroleum company Sinopec, allows the Spanish firm Repsol to turn 40 percent of its Brazilian oil stake over to the Chinese state corporation. Worth USD 7.9 billion1, the agreement has prompted other countries in the Western hemisphere to reevaluate China’s ever-changing economic and political role in Latin America. Recent events highlight the seriousness of China’s drive to stake out a major economic presence in Latin America, as well as a readiness to use economic methods in order to achieve its goal.

China Acquires Brazilian Oil: Part of a Persuasive Pattern

Brazil holds one of the largest reserves of oil in the world, totaling an estimated twenty billion barrels in land and offshore deposits.2 The majority of Brazilian petroleum remains under the control of Petrobras, the state-funded oil producer. In 1997, the Brazilian government began to take steps to overhaul its oil industry and revitalize its economy. In addition to creating such regulatory bodies as The National Petroleum Agency (ANP), and the National Council of Energy Policies, the government instituted “Law N. 9.478,” which opened Brazil’s oil to foreign investment. These reforms have attracted the attention of a number of foreign investors to the country’s lucrative oil resources.

As China’s second largest oil company, Sinopec is no stranger to extensive foreign investments; in 2009, the company purchased Addex Petroleum, based in the United Kingdom, for USD 7.2 million,3 thereby gaining reserves in both the Middle East and Africa. China’s recently increased interest in foreign oil is to be expected, considering that the country’s dramatic economic rise as a consumer society during the past decade has created an insatiable demand for energy resources. Indeed, China’s GDP for the second quarter of 2010 surpassed that of Japan, which has long dominated trade between Asia and Western nations. Chinese trade with the West totals USD 1.337 trillion, which has transformed China into the second largest economy in the world.4 Sinopec’s increasingly aggressive acquisition of foreign oil reserves reflects the Chinese government’s serious commitment to expanding overseas influence, and is a cornerstone of China’s global economic and political strategy.

China Replaces U.S. in Latin America?

Since developing stronger ties with Latin America, Chinese imports from the region have increased by an extraordinary 600 percent, totaling USD 21.7 billion in 2004.5 China’s mounting interest in Latin American markets is an attempt to meet the demands of its ever-rising population and economy, which grew an unprecedented 25 percent over the same seven-year period in which the U.S. economy (currently Latin America’s largest trading partner) grew 20 percent.6

Some do not consider Beijing’s interest in Latin America as an entirely positive development. The U.S. is closely monitoring China’s expanded role in Latin America, a region that it has historically considered its “backyard.” Like many developing countries, China undervalues its currency so as to encourage rapid economic development that is frequently associated with cheaper trade.7 This move has generated much criticism of the Chinese Premier Wen Jiabao for his reluctance to increase the value of the Yuan, given its now stronger economy and market shares.8 Consequently, China has been able to formulate agreements and offer interest at rates that are lower than other competing developed countries, including the United States. A Washington Post article reported that “in some cases, China has handed out billions of dollars at less than 1% interest; under OECD (Organization for Economic Co-Operation and Development) rules…the United States must lend at market rates.”9 Thus, China remains a more logical partner for many Latin American countries struggling to become greater players in the global economy.

China’s influence in Latin America’s economy has expanded through other, more indirect, avenues as well. China recently loosened Latin American travel restrictions on its citizens, a decision that will, undoubtedly, promote further economic ties between the two. China’s latest dealings have been described as part of an “aggressive push to invest in industries overseas…to bolster the country’s image and political influence.”10 This is particularly evident in the case of Brazil. China’s investment in various sectors of the Brazilian economy, such as a large port factory in Sao Paulo, is strategically fashioned to boost the volume of Chinese exports to Brazil. Constituting the so-called “BRIC” countries, along with Russia and India, Brazil and China are predicted to be increasingly important players on the global economic stage. In a sign of things to come, China replaced the United States as Brazil’s largest trading partner at the beginning of 2009.11

The Political Persuasion: China’s Effect on the Americas

In addition to its heightened economic influence in Latin America, China’s political presence is growing in the region as well. As China continues to grow as a global power, the topic of Taiwan’s sovereignty becomes the elephant in the room. Currently, twelve Latin American countries still recognize Taiwan’s sovereignty. The loyalty of these countries, which include Panama, Paraguay, and Guatemala, could shift away from Taiwan as China invests more time and money in the region and plays a stronger role in their economic growth. A shared concern among those that recognize Taiwanese sovereignty is that Beijing still “clearly wishes to diminish Taiwan’s formal and informal ties to Latin America.”12 If China continues to gain political clout in Latin America this fear may prove to be valid and become a contentious issue in the region between those who favor a Chinese political and economic presence and those who do not.

Many Latin American leaders are carefully weighing the positive and negative political implications that China’s growing involvement may have in the region. In March, Ecuadorean President Rafael Correa “compared China to the worst imperialist corporation … and refused to bend on terms for financing a $1 billion hydroelectric dam.”13 Despite initial opposition, Correa eventually agreed to China’s conditions after recognizing that the dam project would fall through if he continued his unyielding insistence for more favorable terms. Correa’s climb down demonstrates the overbearing power that China can exert on Latin America’s governments.

Another concern is that China’s increased interest in the region, largely driven by its need to secure new markets for its products, will not have tangible benefits in Latin America. Brazil’s outgoing President Luiz Inácio Lula da Silva hinted at his skepticism over the potentially one-sided nature of the Sino-Latin American relationship this past July: “the truth is that sometimes they win a mine contract and they bring all these Chinese to work, and this doesn’t generate opportunity for work in that country.”14 This concern was previously raised in 1996 when Brazilian Ambassador to Beijing, Roberto Abdeneur, suggested that China might be “more of a challenge to Brazil than an opportunity.”15

For Better or for Worse: A Marriage of East and West

China’s growing influence in Latin America will continue to raise questions regarding its role in the region’s economic development. If the past decade is any indication, China’s unprecedented power will continue to bring considerable economic growth to the Latin American region. Yet valid concerns exist regarding China’s potential to misuse its influence. At present, a number of Latin American leaders’ are seeking greater independence from the United States. It remains to be seen, however, whether China’s increased presence in Latin America will aid these efforts or simply transfer external power from one economic giant to another

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