Posted on
November 12, 2010 by
Jefferson

DA FRANCE PRESSE, EM BAGDÁ
O presidente do Iraque de origem curda, Jalal Talabani, reconduzido nesta quinta-feira à Presidência para um novo mandato de quatro anos, é um homem doente e enfraquecido por uma contestação crescente em sua região de origem, o Curdistão.
Com o rosto arredondo, dotado de um grande senso de humor, tem sempre à mão uma bengala para se apoiar. Este ex-guerrilheiro curdo, que festeja nesta sexta-feira o 77º aniversário, tomou um tal gosto pelo poder que se recusou a deixar o cargo para o líder leigo Iyad Allawi, como lhe havia pedido com insistência o presidente americano Barack Obama.
“Vamos embora e vocês vão ficar sob a influência do Irã”, havia-lhe dito Obama.
“O Irã não nos incomoda e vocês podem partir amanhã”, respondeu-lhe furioso Jalal Talabani’, segundo contou à AFP um deputado de seu partido.
Embora Talabani, que se submeteu a várias cirurgias nos Estados Unidos, tenha prestado homenagem aos sacrifícios dos soldados americanos que capturaram seu inimigo, o ex-ditador iraquoano Saddam Hussein, ele mantém contatos estreitos com a Síria e, sobretudo, com o Irã, onde viveu e fala a língua com fluência.
Mas aquele que seus camaradas chamam afetuosamente “Oncle Jalal” perdeu prestígio. Seus detratores fustigam a corrupção que reina em seu feudo de Suleimaniyeh no Curdistão (norte) e denunciam o enriquecimento de pessoas ligadas a ele.
Seu partido, a União Patriótica do Curdistão (UPK), vem sendo ameaçado por uma nova chapa de oposição, Goran, composta por ex-amigos políticos, que obtiveram importantes vitórias eleitorais.
Ele também vem perdendo para o rival de sempre, Massoud Barzani, o líder do Partido Democrático do Curdistão (PDK), a quem combateu com armas na década de 1990.
BIOGRAFIA
Nascido em 1933 em Kalkan, uma aldeia na montanha, a 400 km a nordeste de Bagdá, Talabani começou muito jovem na política, por admiração a Moustafa Barzani, figura legendária do nacionalismo curdo.
Criado em Kirkuk, sonhou, aos 15 anos, tornar-se médico, optando finalmente pelo direito, a fim de se consagrar à política. Sua participação, em 1952, em manifestação anticolonialista em Bagdá, obrigou-o a interromper seus estudos, que retomou após 1958.
Realizou seu serviço militar na artilharia, somando-se, depois, ao PDK, fundado em 1946. Ele também combateu nas montanhas durante a primeira grande revolta curda de 1961.
Mas quando o líder carismático Barzani assinou em fevereiro de 1964 um acordo de paz com Bagdá, sem mencionar a autonomia do Curdistão, Jalal Talabani optou pela dissidência, partindo para o Irã.
Após a ruptura definitiva com o PDK, ele anunciou, em junho de 1975, em Damasco, a criação do UPK, que pretendeu estar mais à esquerda do que seu rival.
A rivalidade UPK/PDK marcou, a partir daí a vida política curda.