Escritos despretensiosos sobre Política Internacional…

Política Internacional


Em livro, ex-secretário de Defesa dos EUA defende decisões sobre guerra do Iraque. 2

Posted on February 08, 2011 by Jefferson

Em livro, ex-secretário de Defesa dos EUA defende decisões sobre guerra do Iraque

Alessandra Corrêa

Da BBC Brasil em Washington

Em entrevista à ABC, Rumsfeld disse que se arrepende de não ter deixado o poder após o escândalo de Abu Ghraib

Em uma autobiografia que chegou nesta terça-feira às livrarias dos Estados Unidos, o ex-secretário de Defesa americano Donald Rumsfeld defende as decisões tomadas sobre a guerra do Iraque e revela sua visão dos bastidores do período que antecedeu a invasão.

No livro de 800 páginas, intitulado Known and Unknown (Conhecido e Desconhecido, em tradução livre), Rumsfeld, considerado o principal articulador da invasão americana ao Iraque, diz que se Saddam Hussein permanecesse no poder, o mundo seria um lugar “muito mais perigoso do que é hoje”.

A obra – ainda sem previsão de lançamento no Brasil – vem causando reações nos Estados Unidos desde a semana passada, quando alguns trechos foram vazados pela imprensa.

Em suas memórias, Rumsfeld reforça a ideia de que o governo de George W. Bush já tinha o Iraque em mente desde a época do planejamento da guerra no Afeganistão.

O ex-secretário relata uma reunião privada com Bush no Salão Oval da Casa Branca, apenas 15 dias depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, quando o então presidente teria pedido que revisasse os planos do Pentágono para o Iraque e que as opções fossem “criativas”.

Rumsfeld também revela as tensões entre o Pentágono e o Departamento de Estado no Conselho de Segurança Nacional durante o período – atribuídas por muitos críticos a ele próprio.

Defesa

O livro relata desde a infância de Rumsfeld, durante a Grande Depressão, até seu período no Congresso e sua atuação nos governos de diferentes presidentes americanos.

Em resenhas publicadas nesta terça-feira nos principais jornais americanos, muitos analistas dizem que Rumsfeld não demonstra remorsos, defendendo suas decisões à frente do Departamento de Estado e transferindo para outras pessoas a culpa pelos erros cometidos.

“Havia alguma dúvida sobre se Rumsfeld iria usar suas memórias para se desculpar pelo que deu errado no Iraque, como as memórias de Robert McNamara fizeram em relação à Guerra do Vietnã”, escreveu Dana Milbank, do The Washington Post.

“Mas depois de quatro anos de reflexão, Rumsfeld permanece repudiando aqueles menos brilhantes do que ele – o que significa praticamente todo o mundo”, diz o crítico.

Arrependimento

No entanto, Rumsfeld, de 78 anos, revela alguns arrependimentos.

Na noite de segunda-feira, em uma entrevista exclusiva ao canal de TV ABC News, o ex-secretário disse que seu maior arrependimento foi não ter convencido o presidente Bush a aceitar sua demissão após o escândalo envolvendo abuso de detentos na prisão de Abu Ghraib, no Iraque.

Disse também que o país e o Pentágono provavelmente estariam melhor se ele tivesse deixado o cargo em 2004.

No livro, Rumsfeld admite ainda que poderia ter enviado mais tropas ao Iraque.

“Em retrospecto, talvez tenha havido períodos em que mais tropas poderiam ter ajudado”, afirma o ex-secretário.

No entanto, ele diz que comandantes militares nunca relataram qualquer tipo de reserva quanto ao tamanho das forças ou pediram o envio de mais tropas, nem mesmo quando questionados especificamente sobre o assunto.

Menina de 14 anos morre em Bangladesh após receber 80 chibatadas 0

Posted on February 04, 2011 by Jefferson

Uma adolescente de 14 anos morreu após ter recebido 80 chibatadas em Bangladesh, como punição por ter tido um relacionamento com um primo que era casado.

A sentença tinha sido decretada por um tribunal religioso na cidade em que a jovem vivia, Shariatpur, no sudoeste do país, a 56 quilômetros da capital, Daca.

Hena Begum foi acusada de ter mantido uma relação sexual com seu primo de 40 anos de idade, que era casado. Ele também foi condenado a receber cem chibatadas, mas conseguiu fugir.

A adolescente desmaiou enquanto recebia as chibatadas e chegou a ser levada para um hospital local, mas não resistiu aos ferimentos, morrendo seis dias após ter sido internada.

O caso teve grande repercussão no país e provocou protestos de moradores de Shariatpur. Há relatos na mídia de Bangladesh de que Hena, na verdade, foi raptada e estuprada pelo primo.

O imã (clérigo muçulmano) Mofiz Uddin, responsável pela fatwah (sentença) contra Hena, e outras três pessoas foram presas. O caso está sendo investigado.

‘Atos imorais’

Atraídos por gritos de socorro de Hena, moradores locais chegaram a acudir a adolescente. Mofiz Uddine também se dirigiu ao local, juntamente com professores da madrassa (escola de ensinamentos islâmicos) da região.

Mídia local diz que a jovem foi estuprada e que não tinha cometido nenhum ilícito.

Os jornais bengalis informaram que em vez de tomar uma ação contra o autor do suposto estupro, os religiosos trancaram a jovem dentro de um quarto. No dia seguinte, o mesmo imã e representantes do Comitê da Sharia, o código de leis muçulmanas, acusaram Hena de ter cometido atos de ”sexualidade imoral” fora do casamento.

Os religiosos disseram à polícia que Hena teria sido pega em flagrante quando mantinha relações sexuais com um morador do vilarejo.

Pessoas da família do primo casado também teriam espancado a adolescente, um dia antes da fatwa ter sido decretada.

Autoridades do vilarejo também exigiram que o pai da jovem pagasse uma multa equivalente a R$ 419.

Na quarta-feira, um grupo de moradores de Shariatpur foi às ruas em protesto contra a fatwa e contra os autores da sentença.

”Que tipo de justiça é essa? Minha filha foi espancada em nome da justiça. Se tivesse sido em um tribunal de verdade, minha filha jamais teria morrido”, afirmou Dorbesh Khan, o pai da adolescente.

Punições realizadas em nome da sharia (legislação sagrada islâmica) e decretos religiosos foram proibidos em Bangladesh, país secular, mas de maioria muçulmana, desde o ano passado.

Comitês que obedecem princípios religiosos vêm se tornando influentes em diferentes países com população de maioria islâmica, mesmo sendo ilegais em muitos deses países.

A sentença contra Hena Begum foi a segunda morte provocada por uma sentença ligada à sharia desde que a prática foi proibida pela Corte Suprema de Bangladesh.

Cerca de 90% dos 160 milhões de habitantes de Bangladesh são muçulmanos, dos quais a maior parte segue uma versão moderada do Islã.

Mentira para boi dormir…. 0

Posted on February 04, 2011 by Jefferson

Mubarak diz que Egito mergulharia no caos se ele renunciasse.

Tariq Saleh

Enviado especial da BBC Brasil ao Cairo

Confrontos entre manifestantes pró e contra Mubarak já duram 10 dias

O presidente egípcio, Hosni Mubarak, afirmou nesta quinta-feira que gostaria de deixar o poder imediatamente, mas não o fará porque acredita que isso mergulharia o país no caos.

Em entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da rede ABC, ele disse estar “cansado” após três décadas no comando do país.

Mubarak afirmou ainda que ficou abalado com protestos violentos na Praça Tahrir, no centro do Cairo. “Fiquei muito decepcionado com os eventos de ontem. Não quero ver egípcios brigando uns com uns outros”, afirmou Mubarak, segundo a jornalista.

Ele descreveu o presidente americano, Barak Obama, como um “bom homem”. No entanto, quando questionado sobre como responderia ao apelo de Obama para que a transição no poder começasse o quanto antes, respondeu: “Você (Obama) não entende a cultura egípcia, nem o que aconteceria aqui se eu deixasse o poder agora.”

Alívio

Amanpour, que conversou durante 30 minutos com o líder egípcio, questionou Mubarak sobre como ele se sentiu ao ser insultado pela multidão que pedia sua saída do poder.

“Não me importo com o que as pessoas dizem sobre mim. No momento, eu me importo apenas com o meu país, com o Egito”, disse o presidente, de acordo com Amanpour.

Mubarak também disse que se sentiu aliviado quando anunciou que não concorreria a um novo mandato e que jamais fugiria do Egito. Ele está abrigado no palácio presidencial, fortemente protegido por guardas e bloqueios.

Durante a entrevista, Mubarak alertou para o risco de a Irmandade Muçulmana – o principal movimento oposicionista egípcio – ocupar qualquer vácuo de poder e culpou o grupo pela violência.

Convite

Horas antes, enquanto os confrontos entre manifestantes pró e contra o governo do Egito no centro do Cairo continuavam, o novo vice-presidente do país, Omar Suleiman, disse que convidou a Irmandade Muçulmana para dialogar.

Entretanto, segundo Suleiman – que concedeu entrevista à TV estatal egípcia –, os membros do grupo estariam “hesitantes” em relação ao convite.

A Irmandade Muçulmana, o maior e mais organizado grupo de oposição no Egito, é oficialmente proibida, mas tolerada pelo governo, e seus integrantes concorrem em eleições como independentes.

Mubarak afirmou não se importar com os insultos contra ele, vindos dos manifestantes

Analistas dizem que a abertura de um diálogo com o grupo representa uma grande mudança de postura do governo.

“Estamos prontos para o diálogo, seguindo o interesse da nação e na agenda do povo”, disse Mohammad Morsi, um dos líderes da Irmandade Muçulmana. “E quem está definindo a gente no momento são os manifestantes, os milhões de manifestantes.”

Saída de Mubarak

Suleiman rejeitou as exigências dos manifestantes de dissolução do Parlamento, afirmando que este “é necessário para avaliar o tema das reformas constitucionais” e disse que as eleições presidenciais devem ocorrer em setembro, como originalmente planejado.

“O presidente não se candidatará, nem seu filho”, disse ele, referindo-se a rumores que há anos circulam no Egito de que Gamal Mubarak poderia suceder seu pai, o presidente Hosni Mubarak.

O vice-presidente, que até a semana passada ocupava o cargo de chefe da inteligência, pediu tempo para que o governo possa atender as exigências dos manifestantes.

Ele disse ainda que “pedir pela saída de Mubarak é pedir pelo caos” e que a “intervenção externa em nossos assuntos é estranho, inaceitável e algo que não permitiremos”.

Suleiman disse que o país perdeu pelo menos “US$ 1 bilhão em turismo nos últimos nove dias” e que um milhão de turistas deixaram o país desde o início dos tumultos, na semana passada.

Violência

Nesta quinta-feira, foram registrados novos confrontos no Cairo entre os grupos a favor e contra Mubarak – embora sem a mesma intensidade do dia anterior.

Às 17h (horário local, 13h de Brasília), o palco dos confrontos parecia ter mudado da Praça Tahrir para a ponte adjacente, a 6 de Outubro, e eles seguiam violentos.

Manifestantes pró-Mubarak pareciam estar em um número ligeiramente menor do que os contrários ao governo, porém mais bem armados e aparentemente disparando rojões contra os adversários.

Pouco antes do início destes confrontos, o Exército retirou seus blindados das proximidades da praça, aparentemente abrindo espaço para os choques entre os dois grupos.

O correspondente da BBC Paul Danahar afirmou ter visto pessoas jogando pedras umas nas outras e ter ouvidos tiros na Praça Tahrir.

Mais cedo, os manifestantes contrários a Mubarak haviam erguido barricadas no centro do Cairo, reforçando suas posições após os confrontos da quarta-feira.

Os milhares de manifestantes anti-Mubarak afirmam que as declarações feitas pelo presidente na terça-feira – de que não tentará a reeleição, mas seguirá no poder até setembro – seriam insuficientes. Eles querem a saída imediata do presidente.

Há relatos de diversos jornalistas de fora do Egito que acabaram agredidos, verbal ou fisicamente, ou que tiveram equipamentos confiscados.

Também nesta quinta-feira, a empresa britânica Vodafone, que opera celulares no Egito, disse que o governo egípcio a forçou a enviar mensagens de texto anônimas, pró-governistas, aos seus clientes no país.

A Vodafone disse que a atitude é inaceitável e vem ocorrendo desde o início dos protestos, na semana passada. A empresa disse que as mensagens deveriam ser claramente atribuídas ao governo.

E Obama não gostou do que ouviu… 0

Posted on February 01, 2011 by Jefferson

Mubarak announcement disappoints Obama administration

By Karen DeYoung and William Branigin
Washington Post Staff Writer
Tuesday, February 1, 2011; 7:32 PM

President Obama said Tuesday that a transition to democracy in Egypt “must begin now” and should lead to opposition participation in free and fair elections.

Speaking after Egyptian President Hosni Mubarak’s announcement Tuesday that he will not seek reelection in September, Obama said he had called Mubarak after the speech and discussed the situation in Egypt with him.

“He recognizes that the status quo is not sustainable and that change must take place,” Obama said at the White House. He said he told Mubarak of “my belief that an orderly transition must be meaningful, it must be peaceful, and it must begin now.”

Earlier, Obama administration officials indicated that Mubarak’s announcement was less than they had hoped for and was unlikely to satisfy protesters’ demands for a new government.

Obama met with his top national security officials following Mubarak’s televised speech as the White House contemplated its next step.

Mubarak spoke after receiving a direct message from Obama carried by retired U.S. diplomat Frank G. Wisner. Although officials declined to discuss the details of Wisner’s meeting with Mubarak Tuesday, they said that the administration’s “prevailing view” since last weekend has been that an agreement by Mubarak not to run again was insufficient.

In public statements since Sunday, the administration has called for an “orderly transition” in Egypt, defined by officials as the immediate establishment of a representative, interim government that would enact reforms and prepare for an open election.

Although officials have said the administration was not opposed to Mubarak’s remaining in office through a transition period if that were acceptable to the Egyptian people, several indicated in recent days that they did not see how that would satisfy the vast throngs who have taken to the streets to demand his ouster.

Obama’s message to Mubarak urging him not to run again contrasted sharply with the White House’s characterization of its position in a news briefing Monday.

Asked whether the U.S. government preferred “that Mubarak not run again,” press secretary Robert Gibbs said: “The United States government does not determine who’s on the ballot. The question is whether or not those elections are going to be free and fair. That’s what we would weigh in on and weigh in on strongly.”

The administration’s current position is similar to that spelled out Tuesday morning by Sen. John F. Kerry (D-Mass.), chairman of the Senate Foreign Relations Committee. He called for Mubarak to both declare that neither he nor his son would run in September and to pledge to work with the Egyptian army and civil society to establish “an interim, caretaker government as soon as possible to oversee an orderly transition in the coming months.”

Kerry, whose comments appeared in an op-ed article in The New York Times, said that Egypt’s stability “hinges on [Mubarak's] willingness to step aside gracefully to make way for a new ppolitical structure.”

In a statement issued following Mubarak’s remarks, Kerry again called on him to “work now with the military and civil society to establish an interim caretaker government.”

Kerry said of Mubarak’s announcement: “It remains to be seen whether this is enough to satisfy the demands of the Egyptian people for change. . . . Much work remains to be done to turn this auspicious moment into lasting peace and prosperity. Egyptians must now prepare for elections and achieve a peaceful transition of power. The military must continue to show the restraint it has so admirably exercised these past days. And opposition leaders must come together to develop a process that will ensure that all of Egypt’s voices are heard.”

Earlier, a State Department spokesman said the U.S. ambassador to Egypt, Margaret Scobey, spoke Tuesday with opposition leader Mohamed ElBaradei “as part of our public outreach to convey support for orderly transition in Egypt.”

ElBaradei, 68, a Nobel Peace Prize laureate who formerly headed the International Atomic Energy Agency, rejected Mubarak’s announcement Tuesday, demanding that he step down by Friday. ElBaradei returned to Cairo last week with the aim of leading a transition to democracy.

A voz de um povo…. 0

Posted on February 01, 2011 by Jefferson

Para assinantes do RSS, clique aqui para ver o vídeo.

A voz de um povo clamando por mudanças político-sociais…

…e a as vozes abalam a estrutura de ferro… 0

Posted on February 01, 2011 by Jefferson

Adaptado do Guardian e da BBC

Para quem assina o RSS, clique aqui para ver o vídeo.

O presidente do Egito, Hosni Mubarak, disse em pronunciamento à TV do país nesta terça-feira que não concorrerá a reeleição nas eleições presidenciais de setembro.

“Não pretendo concorrer a outro mandato presidencial”, disse Mubarak, ressaltando que não deixará o poder imediatamente, como exigem as lideranças dos manifestantes.

“O Hosni Mubarak que fala a vocês se orgulha do que conquistou nos anos em que serviu o Egito e seu povo”, afirmou ele.

Mubarak falou horas após o encontro com o enviado americano

“Este é meu país. Onde vivi, lutei e defendi sua terra, soberania e interesses e morrerei aqui”, completou.

Mubarak disse que sua maior prioridade agora é garantir a estabilidade do país para permitir a transferência do poder.

Mudanças

No pronunciamento, Mubarak disse que pedirá ao Parlamento que mude a legislação que estabelece as duras condições para que os candidatos concorram ao pleito.

As leis atuais impediriam que Mohamed ElBaradei, Nobel da Paz e apontado como um dos líderes dos protestos, concorresse.

Também sinalizou que pedirá ao Parlamento para que avalie as denúncias de fraude eleitoral nas eleições parlamentares de novembro e dezembro.

O pronunciamento ocorre horas após o encontro de Mubarak com o enviado americano ao Cairo Frank Wisner que teria enviado a recomendação de Barack Obama para que o presidente egípcio preparasse uma “transição ordenada” do poder.

Um marco na história… 0

Posted on February 01, 2011 by Jefferson

A marcha de um milhão….

Adaptado da Reuters

Pelo menos 1 milhão de egípcios foram às ruas na terça-feira, em cenas nunca antes vistas na história moderna do país, para exigir a renúncia do presidente Hosni Mubarak, no poder há 30 anos, e de seu novo governo.

A promessa feita pelo Exército na segunda-feira de não usar força contra os manifestantes deu coragem aos egípcios de continuarem a fazer pressão pela maior reviravolta no sistema político desde 1952, quando militares depuseram o rei Farouk.

Manifestantes lotaram a Praça Tahrir, no centro do Cairo, e milhares fizeram uma passeata na cidade de Suez, no leste do país. Houve manifestações em Alexandria, no litoral norte, em Ismailia e em cidades do delta do Nilo, como Tanta, Mansoura e Mahalla el-Kubra.

De acordo com uma estimativa da Reuters, o número de manifestantes em todo o país que expressaram sua revolta com Mubarak e seus ministros chegou ao marco de 1 milhão estimado pelos ativistas.

“Acorde Mubarak, este é o último dia”, gritaram os manifestantes em Alexandria.

As cenas vistas na Praça Tahrir (da Libertação), que tornou-se o ponto central dos protestos contra a pobreza, a repressão e a corrupção, formaram um contraste acentuado com o que foi visto na sexta-feira, quando policiais espancaram manifestantes, jogaram jatos de água e atiraram bombas de gás lacrimogêneo contra eles.

“Ele vai embora, nós não vamos”, gritava uma multidão de homens, mulheres e crianças, enquanto um helicóptero militar sobrevoava o mar de pessoas, muitas delas agitando bandeiras egípcias e faixas.

“Mubarak, você é covarde, agente dos Estados Unidos.”

Soldados, alguns deles sentados sobre veículos blindados pichados com frases anti-Mubarak, sorriam e acenavam enquanto manifestantes davam socos no ar e gritavam: “O povo e o Exército estão de mãos dadas. Abaixo, abaixo Hosni Mubarak.”

Algumas centenas de manifestantes pró-Mubarak se reuniram perto do prédio do Ministério do Exterior, a pouca distância da Praça Tahrir. “Sim a Mubarak, não a ElBaradei, não a espiões no Egito”, gritavam. O pouco número de manifestantes ressaltava a impopularidade do presidente.

Inicialmente desorganizados, os protestos contra Mubarak estão pouco a pouco ganhando a forma de um movimento reformista amplo que engloba muitos setores da sociedade egípcia.

Jovens desempregados se misturavam com membros do movimento islâmico Irmandade Muçulmana, e pobres urbanos davam as mãos a médicos e professores, em sinal de solidariedade.

“Estamos pedindo a derrubada do regime. Temos uma meta, que é retirar Hosni, nada mais. Nossos políticos precisam intervir e formar coalizões e comitês para propor um novo governo”, disse o engenheiro de computação Ahmed Abdelmoneim, 25 anos.

Fotos de Mubarak, que a exemplo de todos os seus antecessores foi um oficial militar de alta patente, eram penduradas nos semáforos, simulando um enforcamento.

O mundo “esgotado” na visão de Davos…. 0

Posted on January 28, 2011 by Jefferson

Análise: Fórum de Davos reflete mundo ‘esgotado’ após crise global

Tim Weber

Editor de Negócios da BBC News

A pior parte da crise econômica mundial pode já ter passado, mas o mundo que se reúne na cidade suíça de Davos, onde começou nesta quarta-feira o Fórum Econômico Mundial, é um mundo esgotado.

De acordo com o professor Klaus Schwab, o homem que criou a reunião anual dos mais importantes líderes do setor empresarial e políticos há 41 anos, é um mundo que sofre de “síndrome de burnout (esgotamento) global”, fraco demais para aguentar outro choque global.

A crise também criou novas realidades. Durante anos, o fórum forneceu uma imagem perfeita da reformulação do equilíbrio de poder no mundo, do ocidente para o oriente e (em menor escala) do norte ao sul.

A pauta de 2011 confirma as novas superpotências: primeiro e mais importante, a China; então a Índia, ainda emergente; e concorrentes como o Brasil e outros países ricos em commodities.

Por exemplo: os nomes de algumas sessões oferecidas para as 2,5 mil pessoas que vão participar do fórum são “O Futuro dos empreendimentos chineses”, ou então “O Impacto da China no Comércio e Crescimento Global”.

Uma destas sessões, “Novas Realidades da China Moderna”, teve o dobro do número de interessados em relação ao número de vagas.

E a sessão sobre a “Reformulação da Economia Americana” está sendo liderada por um membro da Academia Chinesa de Ciências Sociais.

Então não é surpreendente que a China envie sua maior delegação na história do Fórum de Davos, apesar de politicamente não ser a mais poderosa em comparação com anos anteriores.

Riscos globais

Todo ano, antes da reunião, o Fórum Econômico Mundial produz o relatório Riscos Globais e, em 2011, ele foi particularmente sombrio, listando dezenas de riscos interligados e complexos que podem prejudicar ainda mais governos já prejudicados pela crise financeira.

“Temos que ser cuidadosos para que esta crise não se transforme em uma crise social, o que já ocorre em alguns países”, afirmou Klaus Schwab.

O lema de Davos é “comprometido em melhorar o estado do mundo”. Mas o fórum não vai resolver estes problemas, não foi criado para isto. O evento é para conversas e networking, mas alguém pode estabelecer a pauta, gerar novas ideias, estabelecer relações.

Os organizadores esperam que as discussões possam estimular os líderes a agirem. Não é uma perspectiva fora da realidade, pois 19 governos dos países membros do G20 enviarão ministros, chefes de Estado ou de governo.

O fórum também vai lançar uma “rede global de resposta a riscos”, uma tentativa de juntar os conhecimentos de avaliadores de riscos das corporações com os conhecimentos de autoridades de governos.

Europa

A China pode dominar a pauta, mas os líderes da Europa são os que vão tentar deixar suas marcas nas discussões.

A maioria dos discursos mais importantes do fórum serão de políticos da Europa. Falarão o primeiro-ministro britânico, David Cameron, a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, além do presidente russo, Dmitry Medvedev – que abriu o evento, nesta quarta-feira.

O primeiro-ministro grego, George Papandreou – que enfrentou violentos protestos nas ruas em 2010 devido à crise econômica no país -, deve fazer uma ofensiva durante o fórum, expondo seu caso em público e conversando em particular com jornalistas e banqueiros.

Todos os líderes europeus tentarão enfrentar o pessimismo de sessões agendadas no fórum que trazem títulos como “Zona do Euro: mudando de sobrevivência para renascimento”.

Terrorismo e outras questões de segurança também estão na pauta, mas, em relação a isso, o atentado em um aeroporto de Moscou nesta semana provavelmente vai geram mais conversas do que Afeganistão e Paquistão.

Outra sessão que foi incluída no evento ecoa a instabilidade no norte da África: “Tunísia – Ponto de Mudança ou Tsunami”.

Fórum masculino

O governo dos Estados Unidos, que foi a grande ausência dos últimos anos, vai enviar o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, e 35 países vão enviar chefes de Estado ou de governo.

A presidente Dilma Rousseff não comparecerá ao evento, que termina no domingo. O governo brasileiro será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota.

As mulheres não serão bem representadas no fórum. Tanto que o Fórum Econômico Mundial sentiu a necessidade de dizer aos cem “parceiros estratégicos” – de Goldman Sachs ao Deutsche Bank – que pelo menos um quinto dos representantes das companhias deveriam ser mulheres.

Isso não significa que não há espaço para diversidade. Chefes das mais importantes companhias do mundo vão se misturar com “pioneiros da tecnologia”, empreendedores sociais, líderes religiosos, membros das ONGs Greenpeace e Oxfam, e líderes culturais como o ator Robert de Niro e o vocalista da banda U2, Bono.

A cada noite, os hotéis de Davos terão dezenas de festas, recepções e jantares particulares. Executivos estressados poderão participar de sessões como “Liderança Shakespeariana” ou “Música para Mudança Social”.

No final das contas, é esta mistura eclética que participantes que torna Davos especial, apesar de sua pauta mais pesada.

Situação no Egito… 0

Posted on January 28, 2011 by Jefferson

A situação do Egito através de um vídeo feito pelo BBC

Mubarak e seu último suspiro…. 0

Posted on January 28, 2011 by Jefferson

Mubarak dissolve governo e defende repressão aos protestos

Tariq Saleh

Enviado especial da BBC Brasil ao Cairo

Em seu primeiro pronunciamento desde o início da onda de manifestações no Egito, o presidente do país, Hosni Mubarak, anunciou nesta sexta-feira a dissolução do governo e afirmou que um novo gabinete seria nomeado no sábado

Em discurso transmitido pela TV estatal, Mubarak, que que está no poder desde 1981, disse ainda que os protestos não estariam ocorrendo caso seu governo não tivesse introduzido liberdades civis e de imprensa no país.

Ele defendeu a atuação das forças de segurança na repressão das manifestações e afirmou que não permitiria que o Egito, país tão importante para o norte da África e o Oriente Médio, seja desestabilizado.

A fala de Mubarak ocorreu enquanto milhares de manifestantes desafiavam um toque de recolher imposto no país nesta sexta-feira, apesar da presença de militares nas ruas.

Inicialmente aplicado em três cidades (Cairo, Suez e Alexandria), a medida foi estendida a todo o território egípcio no início da noite (hora local, à tarde no Brasil), refletindo uma intensificação nos protestos durante o dia.

Segundo fontes médicas, ao menos 13 pessoas morreram em Suez e cinco morreram no Cairo em confrontos nesta sexta-feira, o que eleva para 26 o total de mortes ocorridas desde que os protestos se iniciaram, na terça-feira.

Mais cedo, ainda nesta sexta, serviços de internet e telefonia celular foram aparentemente bloqueados no país.

No Cairo, manifestantes atearam fogo na sede do Partido Nacional Democrático, mesma agremiação de Mubarak, e cercaram os prédios do Ministério das Relações Exteriores e da TV estatal.

A emissora anunciou que o toque de recolher vigoraria entre as 18h desta sexta-feira e as 7h do sábado e que militares trabalhariam em conjunto com os policiais para reforçar a ordem.



Locais onde têm ocorrido os protestos no Egito

Militares

A TV egípcia transmitiu a chegada ao Cairo de tropas militares e de blindados. Ao passar pelos manifestantes, muitos soldados acenavam para a multidão.

As manifestações desta sexta-feira – de proporção sem precedentes na história do Egito – se seguem a três dias de protestos e foram inspiradas em uma onda de protestos populares que culminou com a queda do presidente da Tunísia, Zine Al-Abidine Ben Ali, há duas semanas.

Também nesta sexta, policiais tunisianos evacuaram um acampamento de manifestantes diante do escritório do primeiro-ministro Mohamed Ghannouchi, em Túnis. Eles exigiam a renúncia do governo interino e a saída de todos os aliados de Ben Ali.

O premiê voltou a pedir calma aos manifestantes e disse que seu governo continuaria no poder até a instauração da democracia no país.

No Cairo, policiais entraram em confronto com milhares de manifestantes nas ruas, usando bombas de gás lacrimogêneo e canhões d’água para dispersar a multidão, que respondeu atirando pedras, queimando pneus e montando barricadas.

A BBC Brasil acompanhou alguns embates e viu policiais à paisana baterem em mulheres que caminhavam perto da multidão.

Conforme a noite avançava, helicópteros sobrevoavam a capital e tiros eram ouvidos.

Ao menos mil pessoas foram presas nos protestos

Estados Unidos

Nesta sexta-feira, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, exortou as autoridades egípcias a permitir protestos pacíficos. “Estamos profundamente preocupados com o uso da violência pela polícia e força de seguranças egípcias contra manifestantes”, disse Hillary.

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que os Estados Unidos poderão revisar sua ajuda ao Egito com base no desenrolar dos eventos nos próximos dias.

“Obviamente nós vamos revisar nossa postura de assistência baseados nos eventos agora e nos próximos dias”, afirmou Gibbs.

O Egito é o quarto principal destinatário de ajuda americana, atrás apenas do Afeganistão, do Paquistão e de Israel.

Nesta sexta-feira, o governo americano lançou um alerta para seus cidadãos, desaconselhando qualquer viagem não-essencial ao Egito.

Outras cidades

Em Suez, um grupo invadiu uma delegacia de polícia, roubou armas e ateou fogo ao prédio. Choques também foram registrados nas cidades de Alexandria, Mansoura e Assuã, assim como Minya, Assiut, Al-Arish e na Península do Sinai.

Há relatos de que centenas de líderes da oposição foram presos durante a madrugada. Ao menos dez pertenceriam à organização Irmandade Islâmica, banida pelo governo.

Outros relatos dão conta de que o líder da oposição e Nobel da Paz Mohamed ElBaradei estaria sendo mantido em prisão domiciliar, mas a versão não foi confirmada oficialmente.

ElBaradei, ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), chegou ao Cairo na quinta-feira para se juntar às manifestações.

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